Blog do Futebol Mineiro: Pé na fôrma! América-MG é um dos que mais finaliza, mas gol que é bom, nada

Comentarista fala sobre a ineficiência do ataque americano e destaca meta para o fim do primeiro turno: sair do Z-4

O que falta para o América-MG? É a pergunta que o americano deve estar se fazendo a cada rodada, a cada chance desperdiçada de respiro no campeonato e, principalmente, a cada tropeço em casa. Esse jogo contra o Bragantino no Independência trouxe essas duas frustrações: fragilidade no Independência e mais uma chance perdida para sair das quatro últimas posições.

Aqui não tem muro: para mim, o América vai dar luta contra o rebaixamento até o fim. Pelo elenco, pela base relativamente mantida do ano passado, por ainda acreditar no trabalho de Vagner Mancini e pelo contexto geral do campeonato.

Nos últimos jogos, o time sempre tem finalizado mais que o adversário. Sempre tem produzido mais. Contra o Bragantino foi o jogo que teve uma diferença no número de finalizações mais apertada. Contra o Grêmio, foram 18 a 12. Contra o Atlético-GO, 16 a 7. Na ótima vitória sobre o Flu, de novo mais que o dobro: 15 a 7. Contra a Chape, 18 a 10 e, nessa segunda, 14 a 10, apenas. Chegar, chega. E mais que o rival.

Então, não é injusto dizer que as finalizações são problema. E são mesmo. Talvez o principal problema e até Vagner Mancini admite. Falta frieza na posição de finalização. Falta confiança também. Individual e coletivamente. O ataque americano está entre os 4 piores do Brasileiro (é o 17º), com apenas 13 gols. Mesmo sendo o quinto time que mais finaliza, em média, atrás só de Flamengo, Fortaleza, Palmeiras e Santos. Isso mesmo, o Coelho chuta mais que o rival Atlético-MG, líder do Brasileiro, mas tem a metade dos gols: 26 a 13 pro Galo.

E se falta capacidade de definição, precisamos falar dos atacantes. Das figuras mais avançadas do ataque que Mancini tem montado, um 4-4-2, ainda mais consolidado no jogo contra o Bragantino, com Fabrício e Rodolfo claramente mais postados como dupla de ataque, com Ademir e Felipe Azevedo como meias-pontas, no apoio. Fabrício e Rodolfo fizeram uma finalização cada um no jogo, enquanto que Ademir (3) e Felipe Azevedo (2) somados, fizeram 5.

Ademir, atacante do América-MG — Foto: Marina Almeida/América-MG

Ademir, atacante do América-MG — Foto: Marina Almeida/América-MG

Então, vamos tocar em um ponto crítico sobre os atacantes do América neste Brasileiro: Ribamar faz falta. Do jeito dele, com mais luta que técnica, com intensidade sem bola, na pressão, com presença de área, sobretudo no jogo aéreo, e com dois gols nos nove jogos que fez. Além dele, só Rodolfo fez gol entre os atacantes de fato, contra a Chape. Carlos Alberto também, mas é um jogador que disputaria, hoje, mais espaço com Ademir ou Azevedo do que propriamente com os atacantes, se não tivesse descido para as categorias de base depois das chegadas de jogadores que pouco se justificaram até aqui, como Chrigor e Isaque.

É a falta de um atacante confiável que, para mim, puxa pra baixo a pontuação do América-MG. É isso que precisa ser solucionado. Muitas vezes vai se ter uma, duas chances claras em um jogo e é preciso estar em forma, confiante e capaz de realizar a definição da melhor maneira. Ou trabalhar melhor sem a bola, como o guerreiro Ribamar. Sem isso, as chances são perdidas, o time sente o desperdício em campo e, às vezes, fica até mais vulnerável aos ataques do adversário depois disso.

Não vejo o caminho do América-MG totalmente errado, claro que não. Concordo com Mancini que os últimos 5 jogos (até o do Bragantino) trazem alguma evolução coletiva do time. Faltam os ajustes das melhores peças. Falta regularidade também. Com o treinador, Juninho Valoura começou voando, mas caiu. Ramón, que se mostrava bem, foi mal nessa segunda, no Independência. Por outro lado, Felipe Azevedo e Ademir cresceram de produção, e Patric parece ter sido um acréscimo na lateral.

Vagner Mancini conversa com jogadores do América-MG durante treinamento — Foto: João Zebral

Vagner Mancini conversa com jogadores do América-MG durante treinamento — Foto: João Zebral

Por hora, o “mini-objetivo” tem que ser fechar o turno fora da zona de rebaixamento. Ao término da 19ª rodada, figurar na 16ª posição que seja, por mais que não seja uma radiografia tão fiel, visto que o Grêmio, com um jogo a menos, não terá 19 jogos até lá. Mas estar acima do Z-4 depois desses jogos contra Ceará e São Paulo é vital para a psicologia do América-MG no Brasileiro. Claro que isso não é salvação de nada e que há todo um turno pela frente, mas pode ser a virada de chave para um time mais confiante e consciente na segunda parte da competição.

Continuo achando que o Coelho nunca teve tanta condição de permanecer na Série A. Vejo potencial nesse trabalho, vejo capacidade no elenco. Mais até do que naquela frustração de 2018, quando o time fechou o primeiro turno em 11º lugar, dois pontos a frente da zona de rebaixamento, com 22 conquistados. Esse ano, não conseguirá isso nem vencendo os dois jogos que restam, já que pode atingir, no máximo, 21 pontos. Mas quando olhamos para o médio prazo, é possível acreditar. Então acredita, Coelhão!

Fonte:ge.globo.com

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