Análise: Atlético-MG interrompe série perfeita, mas evita o pior e amplia vantagem na liderança

Os números, apesar de frios, costumam ajudar a contar a história de uma partida. Foram 18 finalizações de um lado, apenas 8 do outro. Posse de bola superior a 60%. Três arremates na trave. O Atlético-MG foi ao Rio de Janeiro fazer história, mas como o futebol está longe de ser ciência exata, quase lamentou o primeiro revés em dois meses de competição. No fim, sai com a sensação de que merecia mais, porém evitou o pior. Há o que comemorar.

“Nove vitórias seguidas de um empate não é ruim não. O ruim era perder. Leva-se um ponto que pode ser muito valioso.” (Cuca)

Há duas perspectivas para a análise geral do jogo diante do Fluminense. Na mais pessimista, o Galo (contra um adversário que não vence na Série A há um mês e meio) desperdiçou uma oportunidade ímpar de abrir 8 pontos e ainda ser recordista solitário de vitórias seguidas na era dos pontos corridos – divide a marca com o Inter (9).

Já na visão otimista (a que Cuca preferiu adotar), o Atlético segue invicto, não perde há 10 rodadas e tropeçou fora de casa justamente na rodada em que nenhum de seus rivais diretos (à exceção do Bragantino) venceram. Como o Palmeiras perdeu no Allianz Parque para o Cuiabá, a vantagem na ponta ainda cresceu para seis pontos.

“Não tem que ficar lamentando. Poderíamos ter saído com o resultado melhor, mas lutamos e, pelo menos, buscamos esse pontinho” (Hulk)

Surpresa e reclamação

Uma hora antes do jogo, quando o Atlético divulgou a escalação com apenas um volante de contenção (Allan) e três atacantes (Savarino, Vargas e Hulk), ficou claro que Cuca colocaria o time para jogar em cima do Fluminense, de um Marcão recém-efetivado no cargo de técnico.

As estratégias eram óbvias, e se desenrolaram conforme o esperado. O Galo em cima, o Fluminense recuado, de olho nos contra-ataques. A primeira chance foi atleticana, com Vargas, que recebeu linda assistência de Nacho e finalizou na trave (a primeira).

Dez minutos depois, a surpresa. Em uma jogada despretensiosa do Flu, a bola tocou no árbitro Flavio Rodrigues de Souza e o jogo foi interrompido com bola ao chão. Na retomada, Martinelli surpreendeu a defesa atleticana e arriscou de longe, obrigando Everson a defender no ângulo.

Escanteio, e nele, a polêmica. Na disputa aérea entre Hulk e Luccas Claro, o atacante abriu os braços e atingiu o defensor, que caiu. Pênalti assinalado, sob muitos questionamentos.

– Eu achei que não foi pênalti. É interpretação do árbitro ali. Eu subo, parado, tiro a bola, ele vem, encontra meu cotovelo e bate em mim – reclamou Hulk. Na cobrança, Fred fez 1 a 0.

Ataque x defesa

Atrás do placar, o Galo, mais do que nunca, se lançou ao ataque. Povoou o campo ofensivo (veja o mapa de calor), empurrou as linhas do Fluminense quase para dentro da área, mas não conseguiu criar chances de perigo. Foi para o intervalo com 16 bolas cruzadas, nenhuma com conclusão.

“O Fluminense marcou bem, bem atrás, muito bem. Isso dificulta.” (Cuca)

Mapa de calor do Atlético-MG contra o Fluminense — Foto: Footstats

Mapa de calor do Atlético-MG contra o Fluminense — Foto: Footstats

No segundo tempo, sim, as chances começaram a surgir com maior claridade, mas faltou pontaria. Hulk mandou na trave uma oportunidade sem goleiro. Já Vargas cabeceou para fora completamente livre.

Banco decide

Quando parecia que viria a derrota, as alterações de Cuca deram resultado. Aos 38 do segundo tempo, Nathan encontrou Eduardo Sasha pelo meio, o atacante finalizou colocado, a bola pegou na trave, mas desta vez morreu no gol.

“Pusemos o time um pouco mais por dentro com o Nathan, Sasha, Nacho, Hulk, e numa dessas tabelas saiu o gol do empate.” (Cuca)

Os dois não são daqueles jogadores que fazem o torcedor pedir chance no time titular, mas são quase sempre efetivos saindo do banco. Principalmente Sasha. Contra o Juventude, ele mudou o jogo e deu assistência para Hulk. Desta vez, marcou.

Dentre as perspectivas citadas no início desta análise, escolha a otimista. Cuca está certo neste sentido. Em um jogo onde parecia que tudo daria errado, um pontinho “pode ser muito valioso”. Esqueça o recorde. A história que este Atlético pode fazer é muito maior. O ano mágico segue de vento em popa.

Fonte: ge.globo.com

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