Análise: com volta da torcida e vitória incontestável, Atlético-MG faz história na Libertadores

Depois do Boca, Galo elimina River Plate sem sofrer gols, com grande atuação coletiva e individual de Hulk, Nacho, Savarino e Everson; Cuca recoloca o clube numa semifinal da competição

Passar pela catraca, gritar “Galo” e subir as escadas do Mineirão para ter o choque daquele tapete verde, reluzente. A torcida do Atlético-MG – ainda que protocolos de combate à Covid-19 tenham ficado em segundo plano – matou a saudade do estádio com uma vitória histórica na Libertadores. E um comportamento, num sentimento de ineditismo e empolgação, que impulsionou o time em campo.

Vencer o River Plate não é para qualquer um. Eliminar o River depois de tirar o Boca Juniors, só o Galo e o Independiente del Valle (em 2016). O Atlético volta a uma semifinal de Libertadores, fase que só alcançou em 2013, na era moderna do torneio. E outra vez com Cuca.

Os elementos individuais do Atlético merecem capítulo à parte. Mas a parte coletiva se encaixou, de vez. O torcedor, com certeza, não se lembra de o Atlético conquistar tantas vitórias sofrendo tão poucos gols. São apenas três (!) em 10 jogos, na maior competição que disputa.

“Temos que reconhecer. Jogou muito mais que a gente. Está em atualidade diferente da nossa” (Marcelo Gallardo)

A zaga com Nathan Silva e Junior Alonso, apesar da baixa estatura, tem posicionamento acima da média. O primeiro vem se transformando numa peça-chave, com boa recuperação baseada na ótima condição física.

Líder do Brasileiro, o Galo ainda terá Diego Costa para se encaixar na equipe, para a próxima fase, diante do atual campeão Palmeiras. Será um sabor de “vingança” especial para Cuca, que ficou com o vice em 2020 diante da equipe de Abel.

Não é possível ignorar, também, que o Atlético chega a um patamar inflado pela ajuda financeira de torcedores milionários, que são conselheiros e membros do chamado “órgão colegiado”. Eles tomaram as rédeas do clube, com financiamento de reforços, cobrimento de dívidas e um choque de gestão para tirar o Galo do limbo econômico.

O dinheiro não significa tudo no futebol, mas traz pé de obra e profissionais de alto nível. O Atlético pode não ser campeão de nada em 2021, mas não é o que as performances (e, principalmente, a segurança defensiva) sugere. O caminho pavimentado é dourado.

“River tem excelente time, excelente treinador. Vencemos duas vezes um gigante. Ganhamos de uma equipe muito qualificada e treinada” (Cuca)

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