Vivendo presente desesperador, Cruzeiro aposta no passado para tentar salvar seu futuro

Na pior crise de sua centenária história, o Cruzeiro vive um presente desesperador. Pelo segundo ano seguido na Série B do Campeonato Brasileiro, em grave momento financeiro, administrativo e técnico, a Raposa está no 18º lugar da Segunda Divisão, lutando contra o rebaixamento para a Série C e não vence há nove jogos. Atualmente, a luta celeste é para evitar um desastre ainda maior no futuro. O sonho é voltar o mais rápido possível aos dias de glória.

E para melhorar seu presente e salvar seu futuro, a aposta celeste é no… passado. Vanderlei Luxemburgo tem um currículo invejável, dos mais vitoriosos e impressionantes do futebol brasileiro. Dispensa apresentações. No entanto, já há alguns anos não desempenha grandes trabalhos. Inclusive desde sua segunda passagem pelo Cruzeiro. O passado recente e o presente do treinador são ruins, assim como o do clube em que assume o comando técnico.

Na sua espetacular passagem entre 2002 e 2004, Luxemburgo teve números excepcionais: 107 jogos, 68 vitórias, 22 empates e 17 derrotas. Aproveitamento de 70,4% e a conquista histórica de Tríplice Coroa, em 2003. Já na segunda estadia na Toca da Raposa II, em 2015, o desempenho foi ruim: 19 duelos, dez reveses, três igualdades e apenas seis triunfos, com 21 gols sofridos, somente 16 marcados e um aproveitamento pífio de 36,8%. O treinador foi demitido depois de uma sequência de seis partidas sem vitórias, com uma eliminação na Copa do Brasil no meio do caminho.

Depois do Cruzeiro, Luxa foi trabalhar no Tianjin Quanjian, da Segunda Divisão da China, em 2016. Por lá, novo trabalho ruim. Mesmo com um elenco superior em relação aos adversários na competição, o treinador não conseguiu levar o time a brigar pelo acesso à elite chinesa. Sem engrenar e criticado, deixou o clube sete meses depois de assumir, apenas na oitava posição da tabela, longe de brigar por uma vaga na primeira divisão.

No ano seguinte, Luxemburgo voltou ao futebol nacional e embarcou em um novo projeto no Sport. O início foi animador, mas o desempenho caiu de forma abrupta no segundo turno do Campeonato Brasileiro e custou o emprego do treinador. A equipe nordestina acabou se livrando da queda para a Série B apenas na reta decisiva daquele Brasileiro.

Depois de um 2018 “sabático”, o treinador voltou a comandar um projeto em 2019, no Vasco. Elogiado depois de anos criticado, conseguiu não só livrar o Gigante da Colina do rebaixamento para a Série B, como levar o time à Sul-Americana, em uma boa arrancada na reta final da competição.

Após o clube carioca, Luxemburgo assumiu o poderoso e milionário Palmeiras, e teve um bom início de trabalho, conquistando o Campeonato Paulista. No entanto, se por um lado os resultados não eram ruins, com o time chegando a ficar invicto por 20 partidas, o desempenho estava longe de ser animador, especialmente diante do forte e muito qualificado elenco alviverde. As críticas foram aumentando, assim como a pressão, e Luxa acabou demitido após uma sequência de três derrotas. Para o seu lugar, o Verdão contratou o português Abel Ferreira, e com ele, o clube engrenou: conquistou a Copa do Brasil e a Libertadores. Nesta temporada, lidera o Brasileiro e está nas quartas de final da Libertadores.

O brasileiro, enquanto isso, voltou ao Vasco, novamente com a missão de salvar o time do rebaixamento. Desta vez, porém, acabou não conseguindo um novo milagre.

Meses depois do último projeto não ter dado certo, Luxemburgo vai iniciar um novo no Cruzeiro, mais uma vez com uma dura missão: salvar um time em crise técnica, financeira e administrativa, do abismo (neste caso, ainda maior, com a ameaça da Série C). O currículo e o passado do treinador são invejáveis, vitoriosos e dignos de muitos elogios, assim como os da Raposa. O presente e seus últimos trabalhos, porém, assim como os do clube que assume, estão na direção contrária. Com Luxemburgo, o Cruzeiro tenta salvar seu futuro apostando no passado.

Fonte: Hoje em Dia

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