Campeão com o Atlético, Rafael relata momento difícil com ameaças de torcedores

Goleiro revela que precisou mudar de residência e trocar de carro

Campeão mineiro pelo Atlético, um dos destaques do time sob o comando do técnico Jorge Sampaoli, o goleiro Rafael aproveitou o primeiro título conquistado em menos de seis meses pelo clube para extravasar. Ele revelou que passou por momentos difíceis quando decidiu deixar o Cruzeiro e assinar com o Galo, o que resultou em perseguição e ameaças de torcedores.

Em entrevista ao programa Bastidores, da Rádio Itatiaia, Rafael contou que precisou acionar a polícia e foi obrigado a trocar de endereço em função das ameaças. Ele disse que os familiares também foram afetados pela perseguição de torcedores em decorrência da transferência para o Atlético.

“Eu vivi um momento difícil da transição com ameaças. Tive que trocar de carro, tive que mudar de casa. Sofri muito e a minha família também. Ameaças todos os dias e o tempo inteiro. Tivemos que passar muitas coisas para a polícia”, revelou o goleiro de 31 anos, que foi formado no Cruzeiro e acertou com o Atlético no dia 3 de março, pouco antes da paralisação forçada pela pandemia do novo coronavírus.

Rafael, que chegou ao Cruzeiro com 13 anos e foi formado nas divisões de base, lamentou o episódio. “Descobriram os números de celular meu e da minha família, da minha esposa. Mandaram ameaças. E a gente nunca sabe o que é verdade e o que não é, o que pode acontecer”, completou o goleiro, que obteve na Justiça a rescisão de contrato com o clube celeste, por causa de atraso de salários, e acertou com o Atlético dois dias depois.

“Fiquei um tempo sem poder sair também. Infelizmente, não é um problema que envolve somente o torcedor. São pequenas pessoas que fazem isso em todos os âmbitos, seja na política, no futebol, na sociedade em geral. Existem pessoas intolerantes e acabam, de alguma forma, fazendo o mal”, afirmou.

Ao mesmo tempo, Rafael considera que teve apoio e auxílio de ‘pessoas do bem’, como ele mesmo chamou. Ele disse, com alívio, que a situação mudou e que o triste episódio ficou para trás. “Mas também teve muitas pessoas que me apoiaram. Eu procuro fazer coisas boas e escutar as pessoas boas. Graças a Deus nós passamos por isso, e eu a minha família estamos seguros”, enfatizou.

DRIBLE NA DESCONFIANÇA

Logo que chegou ao Atlético, Rafael encarou a exigência do técnico Jorge Sampaoli em trabalhar bem a reposição rápida com os pés, agilizando a saída de bola. Em meio a muitos comentários sobre pedido do comandante para contratação de outro goleiro, o titular da meta alvinegra disse que trabalhou muito para aperfeiçoar a jogada e driblar qualquer desconfiança do treinador.

Rafael atribui a melhora ao próprio comandante. “Temos treinado muito saídas com os pés e acho que a evolução é notória dentro de campo, nos treinos e nos jogos. A cada dia a gente vem aprimorando e isso aumenta a confiança na saída de bola. Como a gente vive muito numa zona de alerta, de perigo, onde não pode haver erro, claro que muitas vezes a gente opta por um direcionamento mais longo. Mas o Sampaoli nos passa confiança e isso tem nos ajudado”, declarou.

“A confiança não vem só de dominar bem a bola, passar bem a bola, é também saber onde estão os jogadores livres. É isso o que vai te ajudar a encontrar o passe mais rápido, para sairmos de uma situação de perigo. A maioria dos times sabe que fazemos essa saída e acaba pressionando. Eu tenho aprendido muito e estou muito feliz com isso, é uma realidade no futebol”, comentou.

 

 

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