Justiça tenta bloquear R$ 6,8 milhões nas contas de ex-dirigentes do Cruzeiro, mas não encontra nada

Varredura foi feita em oito contas de diferentes bancos em nome de Wagner Pires de Sá e em sete de Itair Machado

Uma tentativa frustrada. O Cruzeiro até que conseguiu, via Justiça, o bloqueio de R$ 6,8 milhões nas contas bancárias do ex-presidente Wagner Pires de Sá e do ex-vice de futebol Itair Machado, investigados pela Polícia Civil e Ministério Público de Minas Gerais por suspeita de corrupção na gestão 2018/2019 no clube. Mas, quando foi feita a varredura no sistema bancário dos ex-dirigentes para repassar o valor à Raposa, nenhum centavo foi encontrado.

As demonstrações da procura pelos valores nas contas bancárias e a tentativa frustrada foram anexadas ao processo nessa terça-feira pela juíza Marcela Maria Pereira Amaral Novais, da 35ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte. A informação foi publicada inicialmente pelo jornal Hoje em Dia e confirmada pela Itatiaia.

De acordo com o documento, a varredura foi feita em oito contas de diferentes bancos em nome de Wagner Pires de Sá. Já no caso de Itair Machado, a procura foi realizada em sete contas de instituições diferentes.

No dia 13 de agosto, o Cruzeiro conseguiu, na Justiça, o bloqueio de R$ 6.861.243,06 nas contas de Wagner Pires de Sá e de Itair Machado para recuperar valores repassados à Futgestão Assessoria Esportiva LTDA, que é de propriedade de Itair. A decisão foi tomada acatando o pedido de agravo de instrumento feito pelo clube, após a juíza Marcela Maria Pereira Amaral Novais, da 35ª Vara Cível de Belo Horizonte, negar a solicitação inicial da Raposa para bloquear os bens dos ex-dirigentes.

Entenda o caso

No início de julho, o Cruzeiro acionou Wagner e Itair na Justiça pedindo o bloqueio de R$ 6.861.243,06 milhões a título de indenização. Na ação de ressarcimento, com mais de 230 páginas, o clube celeste alega que teve os valores desviados “ilicitamente” dos seus cofres.

De acordo com a ação, o valor foi repassado à empresa Futgestão Assessoria Esportiva LTDA, que é de propriedade de Itair Machado. Ainda conforme o processo, entre fevereiro de 2018 e outubro de 2019, foi pago R$ 4.928.947,00 à empresa a título de prestação de serviços. Além disso, foi repassado R$ 1.932.295,44 à Futgestão em premiações.

Por meio de live no dia 10 de julho, o presidente do Cruzeiro, Sérgio Santos Rodrigues, falou sobre o assunto. “Vamos correr atrás de tudo que for possível, seremos implacáveis contra quem fez isso contra o Cruzeiro. Já ajuizamos ação contra um outro ex-dirigente, com pedido de bloqueio dos bens e confiamos no trabalho da Polícia Civil e do Ministério Público. O sonho de todos é ver essas pessoas pagando criminalmente pelo que fizeram com o clube. Não vamos abrir mão de nada. E nós também vamos trabalhar para que os conselheiros que tiverem praticado irregularidades sejam expulsos”, disse.

Na época, Itair se pronunciou por meio de nota. De acordo com o ex-dirigente, a “contratação irregular de serviços prestados na Gestão do Futebol não procede”, pois o “Estatuto do Clube não proíbe remunerar pelos serviços prestados, declarados e com os impostos já recolhidos” pessoas que não foram eleitas para ocupar cargos no clube.

Itair declarou ainda que não foi eleito para vice-presidente de futebol – foi indicado por Wagner após a eleição no fim de 2017. Além disso, foram criados outros três cargos através de portaria interna do clube: vice-presidente executivo financeiro, vice- presidente executivo comercial e marketing e vice-presidente executivo jurídico. O ex-dirigente disse ser estranho o clube não acionar na Justiça também os outros profissionais.

“Causa estranheza, o fato de não terem ingressado com os mesmos pedidos em desfavor dos demais Vices Presidentes Executivos, que foram remunerados e nomeados no mesmo período pelo qual e descrito nessa ação temerária e pessoal”, frisou em nota Itair na época.

Já no início de agosto, o ex-presidente do Cruzeiro, Wagner Pires de Sá, havia entrado com ação contra o clube pedindo para que o processo contra ele fosse encerrado e acusou a Raposa de “má-fé”.

Wagner pediu que “preliminarmente, seja revogada a decisão de concessão dos benefícios da justiça gratuita ao autor (Cruzeiro); que seja indeferida a petição inicial do clube pela ilegitimidade passiva, bem como por sua inépcia, pois, da narração dos fatos, não decorre logicamente a conclusão; que seja mantida a decisão liminar que indeferiu o pedido cautelar do Cruzeiro; que sejam julgados improcedentes todos os pedidos do Cruzeiro, condenando o clube ao pagamento de custas e despesas processuais, honorários sucumbenciais e demais taxas”.

 

 

Itatiaia

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