Galo bate Flamengo no Rio

Em duelo de favoritos, Atlético leva a melhor fora de casa e começa o Brasileiro com bom futebol

Quando a escalação do Atlético saiu antes da partida, muita gente estranhou. Jorge Sampaoli, afinal, mudou completamente o time: tirou Réver, Keno e Marrony, que vinham sendo titulares e jogando bem, e colocou Igor Rabello, Marquinhos e optou por uma escalação com três zagueiros, em um esquema tático diferente do que a equipe vinha atuando. Dentro de campo, porém, o medo de alguns se provou equivocado. Muito eficiente no primeiro tempo e com bom futebol e superior no segundo dando gosto de ver, um Galo com a cara de seu treinador, bateu o Flamengo nessa tarde no Rio de Janeiro por 1 a 0, pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro, e começou muito bem a competição e a caminhada no sonho do bicampeonato, levando a melhor no embate entre os dois clubes considerados os principais favoritos ao título.

Coletivamente, o Atlético teve uma exibição primorosa, especialmente no segundo tempo, quando a defesa foi muito segura, com destaque para Júnior Alonso, e a marcação pressão na saída de bola carioca foi muito bem feita. Destaque, mais uma vez, também para Sampaoli, que soube corrigir, da primeira para a segunda etapa, os erros que o Galo vinha apresentando e melhorou muito o time. O argentino, por exemplo, não teve pudor algum em sacar Gabriel, em tarde ruim e prejudicando a transição alvinegra com muitos erros, aos 43 minutos de partida, para colocar Jair, em substituição fundamental que transformou o duelo. Individualmente, além do zagueiro paraguaio, Nathan, Arana e Jair tiveram ótimas atuações.

Primeiro tempo

Na etapa inicial, o Atlético enfrentou muitas dificuldades para vencer a marcação pressão do Flamengo na saída de bola e sair jogando. Não à toa, os números mostraram um Galo errando muitos passes e criando e finalizando menos e um domínio rubro-negro. Por outro lado, o time mineiro foi mais eficiente e conseguiu ir para os vestiários com vantagem de 1 a 0 no placar.

Enquanto o Flamengo teve praticamente 70% de posse de bola, trocou 238 passes e errou apenas 20, o Galo trocou menos e errou mais: 116, sendo 23 equivocados. Nas finalizações, vantagem também carioca: 11 contra quatro. O Atlético, porém, foi muito mais eficiente e, na única finalização certa que teve, abriu o placar, com gol contra de Filipe Luís após cruzamento de Arana, aos 23 minutos.

A origem da jogada do gol, inclusive, tem claramente o dedo de Sampaoli. No início do lance, Arana saiu da esquerda e se infiltrou pelo meio, na sequência, fez a ultrapassagem pela lateral, seu posicionamento original, e cruzou para a área. Outro detalhe é o erro de Filipe Luís, que estava sozinho e se precipitou. Nenhum jogador alvinegro estava perto do ex-jogador do Atlético de Madrid, e o cruzamento de Arana não encontraria nenhum atleticano dentro da área.

No entanto, ainda que o Galo tenha tido boa exibição e sido mais eficiente, o Flamengo foi melhor na etapa inicial, mas pagou caro pelos erros nas finalizações e na defesa. Na chance rubro-negra mais clara, Bruno Henrique perdeu um gol incrível, acertando a trave aos sete minutos de jogo mesmo com o gol vazio, sem Rafael embaixo das traves. Arrascaeta também perdeu duas boas oportunidades, parando em boa defesa do goleiro atleticano em uma delas.

A maioria das chances flamenguistas foi criada após erros alvinegros na saída de bola, a maioria deles com Gabriel, que teve péssima exibição e, não à toa, foi substituído por Sampaoli com apenas 43 minutos de jogo, dando lugar ao volante Jair, em substituição que também mudou o esquema tático atleticano.

Outro detalhe importante do Atlético nos primeiros 45 minutos de jogo foi uma diferença, com o time, ao contrário dos últimos jogos, atacando pouco pelo lado direito com Savarino e muito mais pela esquerda com Marquinhos.Nas partidas anteriores, o venezuelano se destacou e foi muito acionado no ataque alvinegro.

Segundo tempo

Na etapa final, o panorama da partida mudou completamente. A entrada de Jair e a saída de Gabriel corrigiram vários problemas do Atlético. A saída de bola, que vinha sendo um problema, mudou da água para o vinho, o time ficou muito mais equilibrado, ganhou o meio-campo e também em técnica e posicionamento. Além disso, coletivamente, a marcação pressão na saída de bola carioca, que já existia no primeiro tempo, foi ainda mais forte e muito mais eficaz. Outra mudança foi o time atacando mais pelo lado direito e equilibrando mais que nos 45 minutos iniciais. O volante foi um dos melhores em campo, assim como Nathan, Arana e Alonso, outros com ótimas exibições.

Não à toa, o Galo pressionou muito mais, foi muito superior ao Flamengo na etapa final e a diferença foi vista nos números. O Atlético aumentou sua posse de bola de 30% para cerca de 40% e equilibrou o número de passes e finalizações. Se no primeiro tempo tempo, o time de Sampaoli finalizou apenas quatro vezes contra 11 do Fla, no segundo, foram seis chutes alvinegros contra cinco rubro-negros.

O time se acertou tanto que, mesmo com Sampaoli fazendo mudanças no decorrer do segundo tempo e o Galo voltando a ter três zagueiros em campo e mudando de novo sua formação após a entrada de Bueno, seguiu superior ao adversário mesmo fora de casa e conseguiu uma importante e merecida vitória.

 

 

SuperFC

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