Pandemia pode fazer o Democrata abandonar o Campeonato Mineiro

A luta pela sobrevivência dos clubes de futebol brasileiro durante a pandemia do novo coronavírus tem sido grande e quanto mais o tempo passa, mais grave fica a situação. Para os clubes do interior dos estados o cenário é ainda mais dramático e já surgem casos em que várias agremiações ameaçam abandonar as competições quando elas retornarem.

A falta de uma data para o retorno do futebol angustia quem vive do esporte. Não que falte compreensão do momento e que a prudência impeça uma confirmação de volta às atividades, mas é que viver (ou sobreviver) de futebol é naturalmente difícil para 88% dos jogadores do País, que recebem até R$ 5 mil mensais, sendo 33% com vencimentos inferiores a R$ 1 mil. Em tempos de pandemia essa tarefa ficou praticamente impossível. Atletas, treinadores e dirigentes sofrem com a atualidade e temem pelo futuro.

Em Sete Lagoas, o Democrata sente na pele essa realidade. O Presidente do clube, Renato Paiva, declarou recentemente, que o Jacaré está em situação financeira crítica e que não pode garantir a permanência da equipe na disputa do Campeonato Mineiro do Módulo II, quando a Federação Mineira de Futebol marcar a retomada das partidas.

Renato deu detalhes da situação atual do Democrata: “Nós pedimos a suspensão dos contratos dos jogadores do nosso elenco profissional. Praticamente todos já receberam e agora nós entramos com o pedido de renovação da suspensão dos contratos de trabalho, algo que o decreto permite, num limite de 60 dias. Não sabemos quando as atividades esportivas vão voltar, embora Minas Gerais esteja com a situação relativamente mais tranquila, em comparação com outros estados”.

O dirigente falou sobre a situação financeira do clube neste momento: “Receita nós não temos, enquanto tivermos a ajuda do Governo Federal vamos seguir, mas depois disso, não teremos o que fazer. Nossa receita é zero, não vendemos praticamente nada de materiais esportivos depois que a pandemia começou, não teremos dinheiro de bilheteria de jogos, porque as partidas voltarão com os estádios de portões fechados. Alguns patrocínios foram suspensos e outros, que ainda estão ativos, também poderão ser cancelados a qualquer momento, porque não sabemos por mais quanto tempo esse problema vai perdurar”.

Sobre o futuro, Renato Paiva foi taxativo: “No pior cenário, e nós temos que trabalhar com ele também, teremos que abandonar a competição, mesmo sabendo que o time que foi montado tem bastante potencial. Se os jogadores não entenderem a situação e a cidade não abraçar o nosso projeto, seremos obrigados a desistir da disputa”.

Quando os contratos dos jogadores terminarem, em 10 de junho, se o cenário não mudar, o Democrata pretende encerrar o vínculo com todos e deixar a disputa do Módulo II. Para Renato Paiva, essa poderá ser a melhor decisão neste momento: “Muitas equipes dispensaram os jogadores, nem fizeram a suspensão contratual, é um problema que envolve vários clubes do País. Alguns vão tentar recontratar quando os campeonatos voltarem, mas não sabemos se isso será permitido, porque é uma decisão que precisa de aprovação de 100% dos times participantes. Temos que encarar esse problema de frente e não podemos criar mais dificuldades para as pessoas, como foi feito no passado. Não sabemos como vai terminar tudo isso, mas se você não tem receita e se não tiver apoio das iniciativas pública e privada, não vejo outro caminho a não ser oficializar essa desistência”.

A exemplo do Módulo I, o retorno do Módulo II só deverá acontecer no final de junho ou início de julho, ainda assim, não há uma garantia de que isso de fato aconteça.

Na Primeira Divisão, equipes como Caldense, Villa Nova e Patrocinense já cogitam sequer terminarem o campeonato, que foi interrompido na antepenúltima rodada da primeira fase. Pelo andar da carruagem, quanto mais tempo demorar para que o retorno se efetive, maior será o estrago financeiro no futebol brasileiro, principalmente para as chamadas “equipes invisíveis”.

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