Atlético e Cruzeiro confiam no faro dos artilheiros Tardelli e Moreno para melhorar o desempenho na temporada

Chegadas de atacantes dão esperança às torcidas de Galo e Raposa

Rivais históricos, mas em situações bem diferentes, Atlético e Cruzeiro fizeram a mesma aposta para ter um 2020 mais alegre: um camisa 9 ídolo da torcida. Enquanto o alvinegro trouxe de volta Diego Tardelli, de 34 anos, os celestes repatriaram Marcelo Moreno, de 32, tudo para ter o homem-gol que os ajude a atingir os objetivos na temporada, que até agora não tem sido boa para ambos – os atleticanos amargam eliminações precoces nas Copas Sul-Americana e do Brasil, enquanto os cruzeirenses buscam se recuperar de grave crise que o obrigou a apostar em time de garotos.

Os artilheiros guardam muitas coincidências entre si, além de defenderem pela terceira vez os clubes nos quais viveram alguns dos melhores momentos da carreira. A começar pelo fato de terem deixado o futebol mineiro pela última vez praticamente juntos, ao fim de 2014: o atleticano para ir para o Shandong Luneng e o cruzeirense, para o Changchun Yatai, ambos da Primeira Divisão da China.

A identificação dos dois com as respectivas torcidas já passa de uma década. Marcelo Moreno chegou primeiro, no início de 2007, vindo do Vitória e com fama de bom finalizador. Apesar de só ter ficado até maio do ano seguinte, os 21 gols marcados em 36 jogos foram suficientes para cair na nas graças dos cruzeirenses, principalmente depois de abrir caminho para a goleada por 5 a 0 sobre o rival na final do Campeonato Mineiro de 2008.

Já Diego Tardelli foi contratado pelo Atlético no início de 2009 sem muito alarde. Afinal, a qualidade mostrada desde a base do São Paulo muitas vezes foi ofuscada pelo temperamento explosivo e por acusações de não levar a carreira com a seriedade necessária. Porém, ao ajudar o Galo a fazer boa campanha no Brasileiro daquele ano, do qual foi um dos artilheiros, ao lado de Adriano, do Flamengo, com 19 gols cada, caiu nas graças da torcida.

Se o paulista de Santa Bábara d’Oeste ficou mais tempo no futebol mineiro, seguiu o boliviano de Santa Cruz de la Sierra ao se transferir para o Leste Europeu. Marcelo Moreno foi para o Shakhtar Donestsk, da Ucrânia, e Diego Tardelli se transferiu para o Anzhi, da Rússia.

A partir de então, os caminhos dos artilheiros se separaram. O cruzeirense foi emprestado ao Werder Bremen-ALE e ao Wigan-ING até ser contratado pelo Grêmio, em 2012. No mesmo ano, o atleticano se transferiu para o catariano Al-Gharafa, de onde foi repatriado pelo próprio Atlético no ano seguinte.

A volta ao Brasil foi pródiga para ambos. Enquanto o boliviano foi campeão da Copa do Brasil pelo Flamengo em 2013, o paulista foi fundamental na maior conquista da história do Galo, a Copa Libertadores.

Em 2014, eles finalmente se encontraram na capital mineira e novamente tiveram o que comemorar. Marcelo Moreno contribuiu para o Cruzeiro ser campeão brasileiro pelo segundo ano seguido, tendo feito 15 gols. Já Diego Tardelli ajudou em outra conquista inédita do alvinegro, a Copa do Brasil, com direito a gol na final em cima justamente do maior rival.

Reencontro

A passagem de ambos pela China foi marcada por menos jogos e poucas conquistas. Logo na chegada, o atleticano foi campeão da Supercopa da China com o Chandong Luneng. Já em um clube com menos investimento, o cruzeirense ajudou o Changchun Yatai a se manter na Primeira Divisão.

A partir de 2017, Moreno se aventurou pela Segunda Divisão chinesa, primeiro no Wuhan Zall. Em 2019, defendeu o Shijiazhuang Ever Bright, tendo feito 12 jogos e marcado sete gols. Em ambos os casos, conseguiu o acesso, o que a torcida cruzeirense espera que se repita agora.

“Tive de esperar cinco anos por esta oportunidade e agradeço ao Cruzeiro de poder estar aqui novamente. E também ao torcedor, que sempre me respeitou, desde o primeiro momento, mesmo desconhecido, me deu carinho, me acolheu”, afirma Marcelo Moreno, que assinou contrato por três temporadas e, assim, terá tempo para recuperar o posto de estrangeiro com mais gols com a camisa azul: ele tem 45, contra 50 do uruguaio De Arrascaeta. “Estou aqui para atingir mais marcas especiais, conquistar mais títulos.”

Tardelli também busca um feito individual importante pelo Galo: chegar ao top 10 dos maiores goleadores da história alvinegra – ele soma 16 gols a menos que Nívio, com 126, o 10º colocado. “Por tudo o que esse clube proporcionou, seria justo que eu voltasse um dia. Sou muito feliz aqui. Sei da responsabilidade, por tudo o que fiz em 2009 e 2010 e 2013 e 2014.Agora é um time diferente, mas vamos tentar o melhor”, afirma o jogador.

Raio X dos matadores

Diego Tardelli

Nascimento

10/5/1985 (34 anos)

Jogos/Gols em MG

219/110

Títulos em MG

Mineiro’2010 e 2013; Copa do Brasil’2014; Libertadores’2013; e Recopa Sul-Americana’2014

Temporadas em MG 4

Último ano em MG

2014

Jogos/Gols em 2019

47/7

Última artilharia

Recopa Sul-Americana’2014 (2 gols)

Melhor temporada (*)

2017 (15 gols em 18 jogos

* Média de gols por jogo

Último clube

Grêmio

Marcelo Moreno

Nascimento
18/6/1987 (32 anos)

Jogos/Gols em MG

93/45

Títulos em MG

Mineiro’2008 e 2014; Brasileiro’2014

Temporadas em MG 2

Último ano em MG

2014

Jogos/Gols em 2019

12/7

Última artilharia

Segunda Divisão Chinesa’2017 (23 gols)

Melhor temporada (*)

2017 (23 gols em 29 jogos)

* Média de gols por jogo

Último clube

Shijiazhuang Ever Bright-CHI

Superesportes

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