Cruzeiro e Atlético são punidos com perda de mando de campo e multados por incidentes em clássico

Julgamento foi realizado na tarde desta quinta-feira pelo STJD

Cruzeiro e Atlético foram punidos com perda de um mando de campo e multa de R$ 100 mil cada pelos incidentes ocorridos no clássico do dia 10 de novembro (domingo), no Mineirão, pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro. O julgamento foi realizado nesta quinta-feira, no Rio de Janeiro, pela 3ª Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).

Por causa da briga entre cruzeirenses e atleticanos nos camarotes do Mineirão logo depois da partida, o STJD aceitou a denúncia da Procuradoria e entendeu que os clubes “deixaram de tomar providências capazes de prevenir e reprimir desordens”, conforme o art. 213 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (leia a redação abaixo).
 
“Deixar de tomar providências capazes de prevenir e reprimir: I – desordens em sua praça de desporto. PENA: multa, de R$ 100 a R$ 100 mil.
 
Parágrafo 1º – Quando a desordem, invasão ou lançamento de objeto for de elevada gravidade ou causar prejuízo ao andamento do evento desportivo, a entidade de prática poderá ser punida com a perda do mando de campo de uma a dez partidas,  quando participante da competição oficial.
Parágrafo 2º – Caso a desordem, invasão ou lançamento de objeto seja feito pela torcida da entidade adversária, tanto a entidade mandante como a entidade adversária serão puníveis, mas somente quando comprovado que também contribuíram para o fato.
anto Cruzeiro quanto Atlético vão recorrer das sentenças no Tribunal Pleno. Os clubes também entrarão com pedido de efeito suspensivo até que o novo julgamento seja marcado. Assim, há a possibilidade de as punições, se mantidas, sejam efetivamente cumpridas na Copa do Brasil de 2020, em um estádio distante pelo menos 100 quilômetros de Belo Horizonte.
 
Em 16º lugar no Brasileiro, com 36 pontos, Cruzeiro fará mais dois jogos no Mineirão pelo Brasileiro de 2019. Na próxima quinta-feira (28/11), às 21h30, enfrentará o CSA, pela 35ª rodada. Depois, pegará o Palmeiras, às 16h de domingo, 8/12, pela última rodada.

Por sua vez, o Atlético (13º, com 41 pontos) jogará três vezes em casa: contra Athletico-PR, às 16h deste domingo (24/11), no Mineirão (34ª rodada); Corinthians, às 18h de domingo, 1/12, no Independência (36ª rodada); e Botafogo, às 19h30 de quarta-feira, 4/12, no Mineirão (37ª rodada).

Em nota à imprensa, o Galo se manifestou a respeito da punição. “Em relação aos tumultos, entendemos que cabe ao clube mandante providenciar as condições de segurança no estádio, além de imagens e autoridades policiais terem reconhecido que o início do tumulto ocorreu após um torcedor do adversário ter arremessado um objeto (garrafa ou balde) em direção à torcida do Galo. Sem contar que o clube mandante não apresentou número suficiente de seguranças para o grau de exigência do espetáculo”.

Já o Cruzeiro, por meio do advogado Theotônio Chermont, considerou a decisão do STJD radical. “A Procuradoria viu outros vídeos e fala em confronto. Não vi um confronto entre as torcidas. Não houve feridos. Não estou dizendo que não houve nada, mas não houve nenhum tipo de prejuízo. O Cruzeiro, apesar de toda dificuldade encontrada, conseguiu juntar o maior número de boletins com 63 detidos dentro e fora do estádio. Tenho que me valer da excludente do artigo 213 que exime o clube de culpa. Isso não é caso de perda de mando de campo. Já é uma medida drástica e radical”.

Injúria racial

Além da perda de mando de campo e da multa de R$ 100 mil, o Atlético terá de pagar R$ 30 mil por causa do episódio de injúria racial de dois torcedores do clube contra um segurança da Minas Arena. A sanção foi aplicada no art 243-G. “Praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência”. 
Em meio à confusão nas dependências do Mineirão, Adrierre Siqueira da Silva, de 37 anos, dirigiu-se ao segurança Fábio Coutinho com menosprezo e disse. “Olha a sua cor”. As imagens foram flagradas pelo jornalista Lucas Von Dollinger, da Rádio 98. Já o jornalista Fael Lima, da TV Alterosa, registrou o momento em que o mesmo torcedor deu uma cusparada no rosto do profissional.

Irmão de Adrierre, Nathan Siqueira da Silva, de 28, também é suspeito de ter cometido injúria racial por supostamente ter chamado Fábio Coutinho de ‘macaco’. Nathan afirmou ter dito ‘palhaço’, não ‘macaco’. Os dois pediram desculpas e alegaram que não são racistas. Para isso, justificaram que têm parentes negros e vão a cabeleireiros negros.

Adrierre e Nathan Siqueira foram desligados do quadro de sócios do Atlético. Por isso, o clube considera injusta a multa por injúria. “O Atlético entende que a punição pela injúria foi injusta, pois os autores foram identificados, encaminhados à Polícia, bem como excluídos do quadro de sócios do clube”.

Da redação:superesportes

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