Títulos, lesões, vaias: Luan passa trajetória no Atlético a limpo e estabelece metas ousadas

Meia-atacante ultrapassou marca de 300 jogos com a camisa do Galo

Aos 22 anos, Luan deixava a Ponte Preta para assinar contrato com o Atlético. Depois de chegar ao clube com uma lesão no púbis e abrir mão das férias para se recuperar, o meia-atacante caiu nas graças do torcedor logo em seus primeiros jogos. Com um estilo ‘maluquinho’, de muita disposição em campo, virou peça importante para a equipe e participou das grandes conquistas do Galo nesta década – Libertadores, em 2013, Recopa e Copa do Brasil, em 2014. Passados sete anos, ele acaba de atingir a expressiva marca de 300 jogos com a camisa alvinegra e ainda não se dá por satisfeito: sonha com mais títulos.
A 300ª partida de Luan pelo Galo foi o clássico contra o Cruzeiro (0 a 0), no dia 10 de novembro, no Mineirão, pelo Campeonato Brasileiro. Na igualdade por 1 a 1 com o Fluminense, chegou a 301 jogos. Nesse período, marcou 48 gols. Aos 29 anos e com vínculo até abril de 2022 com o Galo, ele ainda estebeleceu para sua carreira metas ousadas no clube: ultrapassar os 100 gols de Diego Tardelli, conquistar mais títulos e até mesmo chegar à Seleção Brasileira.

Em entrevista ao Superesportes, Luan ainda relembrou os grandes momentos de sua trajetória no Atlético e também fases complicadas, como as vaias recebidas no duelo contra o Fortaleza, neste ano, no Independência.

Leia, a seguir, a entrevista de Luan na íntegra:

300 jogos

 

É uma marca expressiva para mim. Poucos atletas têm esse privilégio, de ficar sete anos num mesmo clube, vestir a mesma camisa por muito tempo, conquistar títulos importantes. Fico feliz por ter conquistado marcas importantes pelo Atlético. Espero dar continuidade nisso para que eu possa ser feliz cada vez mais.

Melhor momento e pior fase

 

O melhor momento foi a conquistas dos títulos em 2013 e 2014 e um pouco em 2015. No ano seguinte, veio o momento difícil, que foram as lesões que tive. Isso acaba atrapalhando um pouco a trajetória que temos em mente. Em 2017, também passei por momentos complicados. Já 2018 foi um ano cheio de felicidade. Faltaram os títulos, mas pude jogar o ano todo. Em 2019, pude fazer grandes jogos e jogar o ano inteiro. O importante no Atlético foi ter conquistado os títulos e ter marcado o nome na história do clube.
Foto: Web

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O peso das lesões na trajetória dentro do Atlético

 

Tinha a meta de passar o Tardelli em número de gols, até brincava com ele. Ele tem 100 gols pelo Atlético e minha meta era essa. Queria conquistar mais títulos e chegar à Seleção, eram sonhos também. Aliás, continuam sendo. Depende muito de mim fazer um ano espetacular, como fiz em 2014 e 2015, com o Levir Culpi, quando meu nome foi cogitado na Seleção. Foi bacana. É chato quando você tem lesão e acaba parando um pouco a trajetória, o que impede você de conquistar coisas importantes.

Você já pensou em sair do Atlético e tomar outro rumo? Este ano, chegou a ir para o banco de reservas com Rodrigo Santana. Ficou mágoa com o ex-treinador?

 

Alguns momentos, sim, pensei em sair, pois tinha propostas legais de fora do país, como dentro do Brasil, equipes grandes. É legal você ser valorizado, pois mostra que você está no caminho certo.

Algumas pessoas não te dão moral, não sabem que você é tão importante para o clube. Mas continuei trabalhando e não guardo mágoas de ninguém. Deixo isso bem claro. Às vezes, não é o interesse da pessoa te tirar do time, mas acaba ocorrendo naturalmente. Temos que respeitar o jogador que entra no nosso lugar. Continuei trabalhando, pois sabia que em algum momento a equipe ia precisar de mim.

Infelizmente, não nos classificamos para a final da Copa Sul-Americana, foi por pouco. O momento mais difícil foi no jogo contra o Fortaleza (no Independência), quando perdi o pênalti e recebi xingamentos. Isso faz parte. Todo jogador de alto nível do futebol brasileiro já passou por isso. E tudo isso é ruim, pois você sempre entra em campo para ajudar a equipe. Poderia acontecer comigo e aconteceu. Foi uma coisa rápida e creio que isso está superado.

 

O que falta para o atual grupo do Atlético ser vencedor como em 2013 e 2014?

 

O que faltou esse ano foram detalhes. Poderia ter dado algo mais, mas a maré não estava legal para o nosso lado. Foi estranho. Não mostramos este ano os jogos de alto nível que fazíamos no Independência. Vencemos algumas vezes, mas deixamos muito a desejar dentro de casa, o que levou para a parte de baixo da tabela. Temos de tirar isso de lição esse ano para que no ano que vem cada um possa se doar um pouco mais, fazer seu melhor e esquecer as coisas ruins que ocorreram. Pensar somente em coisas boas.
 
Você conquistou três grandes títulos no Atlético. O que o Luan ainda imagina conquistar no futuro?

Conquistei esses títulos importantes, mas não me apego muito ao passado. Isso eu falo em casa com a família. Foi uma história muito legal marcada no clube. Quando meus filhos crescerem, vão ver essa história. Mas sempre almejo algo a mais. Quero bater metas, conquistar mais títulos importantes no clube.

Quando minha carreira terminar, quero estar recheado de conquistas importantes. Essa foi minha intenção desde que cheguei ao Atlético em 2012. Espero ajudar o clube da melhor maneira possível nesses três anos de contrato que faltam.

Thiago Neves, do Cruzeiro, te chamou de marqueteiro depois da final do Mineiro. Você se considera marqueteiro?

 

Não. Isso é o que ele pensa. Acho que ele é mais marqueteiro que eu. Ele fala muita merda, né? Um cara que tem uma história bacana no futebol, mas poderia ser um pouco mais humilde. Essa é minha visão. Ele pode ter uma visão diferente de mim e eu posso ter visão diferente dele. Nunca fui marqueteiro.

Sou um cara que dou tudo pelo time, gosto da torcida desde que cheguei. Quando jogava contra, sempre admirei o jeito que a torcida apoiava o time. Mas se tratando de jogadores experientes como ele, deveria ser um pouco mais humilde. Está faltando isso nele. Ele tem muitos títulos, tem história. Ele tem que ser um pouquinho mais pés no chão.

E ele precisa ter cuidado com a carreira dele, uma carreira brilhante. Sempre o admirava quando jogava no Fluminense e no Flamengo. Admirava o futebol dele. Talvez tenha sido infeliz nessa fala por jogar no rival. Mas eles falam o que quiser para ter moral com a torcida deles. Da mesma forma que defendemos nossa torcida. Do fundo do coração, eu acho que ele não é um cara ruim não.

Em vários momentos, você disse não ter sido valorizado no Atlético. A quem você se refere?
Não tenho mágoa que ninguém. É algo complicado de falar. Mas eles precisavam valorizar mais as pessoas que se doam pelo clube. É legal você ser reconhecido pelo trabalho que faz corretamente. Você se dedica e se doa até mais do que pode.Essa minha fala foi depois do jogo contra o Botafogo (no ano passado). Eu saí e falei, na época tinha o Alexandre Gallo no clube. Falei que precisavam respeitar mais e valorizar mais as pessoas que gostam do clube, amam o clube e vestem a camisa de verdade. Que veste a camisa de verdade. Lembro de tudo o que falei. Não esqueço.

Às vezes falo coisa que os outros interpretam de forma diferente, mas assumo minha responsabilidade. Por exemplo, o rival interpreta da forma como quer. Na final, nosso time jogou melhor (que o Cruzeiro na final do Mineiro deste ano), mas fomos prejudicados pela arbitragem. Eles foram campeões e podem falar o que quiser.

Da redação:superesportes

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