Por ganho esportivo em longo prazo, América planeja investimento de R$ 30 milhões em reforma do centro de treinamento

Em entrevista ao Superesportes, Marco Antônio Batista, integrante do Conselho de Administração do Coelho, dá detalhes do projeto
América busca ganho esportivo em longo prazo com a reforma do Lanna Drumond, que passará a ser chamado de ‘Planeta América’. Segundo Marco Antônio Batista, integrante do Conselho de Administração, a expansão do centro de treinamento já está em andamento e deve custar, ao todo, R$ 30 milhões. Por se tratar de uma quantia alta, quase proporcional ao orçamento do futebol na Série B, a diretoria corre atrás de receitas alternativas, como a permuta de terrenos pertencentes ao clube. Tudo para viabilizar um espaço que comporte o elenco principal, as categorias de base e também o time feminino com conforto, comodidade e segurança.
“O maior desafio orçamentário é que o Planeta América não fique atrelado à posição do clube na Série A ou na Série B. Vamos tentar buscar o recurso sem impactar no orçamento do clube, independentemente de subir para a Série A ou permanecer na Série B. Precisamos trabalhar de forma racional, pois é um projeto que não pode ser vinculado a uma situação. É unanimidade no conselho”, diz o dirigente, em entrevista exclusiva ao Superesportes.
Conforme Batista, as obras do Planeta América devem ser concretizadas em “dois a três anos”. Num primeiro momento, o clube priorizará a construção de quatro campos já para 2020, em um espaço que não afetará a logística atual do Lanna Drumond. Em seguida, edificará mais dois campos, além de vestiários, refeitórios, prédios administrativos, área social, alojamentos para a base e hotel do elenco profissional.
“Vamos priorizar os quatro campos que estão localizados em uma área sem interferência de funcionamento do atual CT. O recurso que temos disponível agora não é suficiente para fazer os seis campos. Depois, vêm as estruturas de apoio, os vestiários, a parte logística e, por último, o hotel, que é importante no projeto, porém não é vital para começar”.
Projetado pelo arquiteto Bernardo Farkasvölgyi, o Planeta América compreenderá uma área de 160 mil m², sendo 20 mil m² de área construída. A parte burocrática, que envolve licenças junto à prefeitura de Contagem, já está em processo de resolução. E há ainda a preocupação em sustentabilidade, área na qual Marco Antônio Batista é especialista na condição de engenheiro ambiental.
“Vamos fazer reaproveitamento de água, teremos energia alternativa, participaremos de programas ambientais dentro da bacia da Pampulha. Estamos trabalhando para certificar o nosso projeto. Será o primeiro CT do Brasil com esse projeto de certificação, o que acho louvável e necessário. Com esses mecanismos, quem sabe a gente consiga uma fonte de financiamento com uma taxa muito menor, sem ter que tirar recurso do futebol para construir o CT”, afirma.
“Fizemos ajustes no projeto, até atendendo a uma solicitação da Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura de Contagem, de preservar árvores mais imunes. Vamos tentar fazer uma compensação na nossa terraplenagem, de modo que não tenha ‘bota-fora’ para não impactar as áreas. Faremos uma drenagem bem intercalada para não impactar no córrego que está a jusante do nosso terreno. Na gestão de resíduos sólidos, há um projeto que queremos fazer sobre educação ambiental com os nossos funcionários. O projeto paisagístico propõe uma recomposição florestal e vegetal bem bacana. Vamos usar carrinhos elétricos no dia a dia do clube. É um projeto que pensa todas as questões ambientais e que, com certeza, também trará benefícios econômicos e sociais”, complementa Batista.
ampliação do Lanna Drumond será possível em função da aquisição de um terreno vizinho, por R$ 4 milhões. Paralelamente, houve permuta com MRV por uma propriedade adjacente. O América cedeu à construtora 40 mil m² de sua área, recebendo de volta 30 mil m², mais R$ 6 milhões. Esse dinheiro será empregado nas obras do Planeta América. Por sua vez, a MRV fará um empreendimento imobiliário ao lado do CT.

Futebol

estrutura atual do Lanna Drumond tem três campos de tamanho oficial e um em dimensões reduzidas, além de vestiários, academia, fisioterapia, departamento médico e salas administrativas da gestão de futebol. Embora não seja um espaço luxuoso, é bem cuidado e consegue atender o grupo principal e as categorias sub-20, sub-17 e sub-15. Reconhecendo a importância da integração de profissional e base em um só espaço, a diretoria pretende oferecer mais conforto e comodidade aos atletas.

<i>(Foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)</i>

“Vamos pensar com o olhar dos atletas, sejam aqueles no sub-13, no sub-14, no sub-20. Imagina a cabeça do atleta que toda hora tem a oportunidade de ver um treino do profissional, ver um jogo-treino, alimentando-se bem, nutrindo-se bem, preparando-se bem, aproveitando espaço social que ali tem, podendo estudar e morar naquele espaço. É diferente da imposição que tem que ficar aqui para fazer um teste, um treino. Se você olhar o lado do clube, os ganhos são enormes”, ressalta Marco Antônio Batista.

Existe, inclusive, a possibilidade de a sede administrativa do Coelho, no piso G1 do Boulevard Shopping, no Bairro Santa Efigênia, ser transferida para o ‘Planeta América’. Assim, o espaço no shopping, atraente no ponto de vista comercial, seria alugado. Na opinião de Marco Antônio Batista, o último passo para o clube fechar o ciclo de infraestrutura é qualificar suas instalações de formação profissional.
“O América muda de patamar. Temos áreas para empreendimentos, uma linda sede, um espaço alugado para o Carrefour, um belo estádio (Independência). Agora só falta potencializar o centro de treinamento para fechar todo o ciclo possível de infraestrutura. Assim, o América terá ganho em quantidade e qualidade na formação de atletas”.
Entre os principais jogadores revelados pelo América, destaques para o lateral-direito Danilo, da Juventus, e o atacante Richarlison, do Everton. Este último foi o que rendeu mais dinheiro de transferência aos cofres alviverdes: R$ 19 milhões – R$ 10 milhões na venda direta ao Fluminense, em dezembro de 2015, e R$ 9 milhões de participação na transferência do atleta do clube carioca para o Watford. O elenco de 2019 também tem vários jovens formados no clube, casos do goleiro Jori, do zagueiro João Cubas, dos volantes Flávio e Zé Ricardo e do meia Matheusinho.

Rafael Arruda /Superesportes

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.